Juros em alta e dívida pública preocupam investidores; analista alerta para risco de concentrar patrimônio no Brasil
Um analista de investimentos alerta que os juros no Brasil subiram com força, em um movimento que ele considera maior que os da pandemia e da crise de 2008, por causa da preocupação com a dívida pública. Segundo ele, o governo precisaria de um ajuste de cerca de R$ 450 bilhões e não anunciou cortes. Ele também cita a alta do imposto sobre heranças em alguns estados e as piores projeções do Boletim Focus. Sua recomendação é que investidores com patrimônio alto não concentrem tudo em aplicações no Brasil. Os números e as avaliações são do analista e não foram confirmados por fonte oficial no texto. Isso não é recomendação de investimento.
O mercado financeiro brasileiro vive um momento de instabilidade, com alta dos juros e preocupação com a dívida pública. Segundo o analista ouvido na reportagem original, que não é identificado no texto, o choque nos juros é mais forte que o da pandemia, em 2021, e o da crise financeira global de 2008. O alerta vale principalmente para quem mantém o dinheiro concentrado em investimentos no Brasil.
O que está acontecendo com os juros
As taxas do Tesouro Direto, programa em que o cidadão empresta dinheiro ao governo federal, tiveram alta histórica após a reeleição do presidente Lula, segundo o texto. O movimento superou o do “Joesley Day”, dia de forte queda do mercado em 2017, e o da pandemia. Quando os juros sobem por causa do risco fiscal, ou seja, da dúvida sobre se o governo consegue pagar suas contas, o preço dos títulos públicos e privados pode cair. O crédito também fica mais caro para as empresas.
A dívida pública e o ajuste
De acordo com o analista, o governo teria destinado quase R$ 300 bilhões em “pacotes de bondades”, medidas de efeito popular, para conquistar apoio eleitoral. Agora, o país precisaria de um ajuste fiscal de cerca de R$ 450 bilhões para evitar que a dívida saia do controle. Ajuste fiscal é o conjunto de medidas, como corte de gastos ou aumento de receitas, para equilibrar as contas. A preocupação cresceu depois que uma reunião da equipe econômica, em Brasília, terminou sem anúncio de cortes. Segundo o texto, a falta de medidas aumenta a desconfiança dos investidores.
Impostos e projeções
O analista também cita uma nova lei complementar que teria levado estados a aumentar o imposto sobre heranças, com alíquotas de até 8% nos patrimônios maiores. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado, passou a elevar as projeções de inflação e de dólar e a reduzir as de crescimento da economia.
O conselho do analista
Ele defende a diversificação, isto é, não deixar todo o dinheiro no mesmo lugar. Isso inclui ter parte do patrimônio em dólar, em commodities globais, como petróleo e metais, e em ativos que não dependam só da situação fiscal do Brasil. O alerta é dirigido a quem tem mais de R$ 1 milhão e mantém os recursos em Tesouro Direto, CDB, LCI e LCA, que são aplicações de renda fixa.

