10 de Outubro: o Brasil lembra a saúde mental e a luta contra a violência à mulher
O dia 10 de Outubro reúne duas datas importantes para a cidadania: o Dia Mundial da Saúde Mental e o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. A primeira chama a atenção para o cuidado com a mente, o combate ao preconceito e o acesso ao tratamento. A segunda lembra que, no Brasil, mulheres continuam sendo agredidas e mortas por serem mulheres. Os números mais recentes preocupam: o país registrou 1.571 feminicídios em 2025, quatro mulheres mortas por dia, 4% a mais que no ano anterior. Os dois temas se cruzam, porque viver sob ameaça machuca o corpo e também a saúde emocional. Quem precisa de ajuda pode ligar para o 180 (violência contra a mulher), o 190 (emergência) ou o 188 (CVV, apoio emocional), todos gratuitos.
Duas datas, um mesmo dia
Neste sábado (10), duas causas se encontram no calendário. Uma é mundial e fala do bem-estar emocional de todos. A outra é brasileira e nasceu de um protesto de mulheres. As duas pedem o mesmo: que o assunto saia do silêncio e vire ação concreta, dentro de casa, nos serviços de saúde e nas políticas públicas.
Dia Mundial da Saúde Mental
A data foi criada em 1992 pela Federação Mundial de Saúde Mental, com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo é conscientizar a população sobre os problemas de saúde mental e combater o estigma e a discriminação contra quem tem algum transtorno.
Cada ano a campanha tem um tema. Em 2025, por exemplo, o foco foi o acesso a serviços de saúde mental em catástrofes e emergências.
Em linguagem simples, saúde mental não é só “não ter doença”. É conseguir lidar com as dificuldades do dia a dia, trabalhar, estudar e manter vínculos com as pessoas. Quando isso fica difícil por muito tempo, é sinal de que vale procurar ajuda profissional, e isso não é fraqueza.
Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher
A data tem origem em um protesto: em 10 de Outubro de 1980, mulheres se reuniram nas escadarias do Teatro Municipal, em São Paulo, contra o aumento dos crimes de gênero no país.
Mais de quatro décadas depois, o Brasil tem leis específicas, como a Lei Maria da Penha, e o feminicídio (morte de mulher por razões de gênero) é crime desde 2015. Mesmo assim, o problema cresce.
O que dizem os números
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado em Julho, os dados de 2025 mostram:
- 1.571 feminicídios, o maior número da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, contra 1.504 casos em 2024.
- 4.189 tentativas de feminicídio, alta de 5,9% sobre 2024: quase três tentativas para cada morte registrada.
- 44,4% das mulheres assassinadas no país morreram por razões de gênero, o maior percentual desde 2015.
- 65,1% das vítimas de feminicídio eram mulheres negras, 62,5% foram mortas dentro de casa e, em 60,9% dos casos, o crime foi cometido por um parceiro íntimo.
- 132.025 registros de descumprimento de medida protetiva, alta de 16,7%. A medida protetiva é a ordem da Justiça que obriga o agressor a se afastar da mulher.
Há um contraste importante: enquanto os homicídios em geral caíram, a violência letal contra a mulher seguiu na direção oposta. Ou seja, a queda geral da violência não está protegendo as mulheres da mesma forma.
Há um sinal de possível melhora. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, no primeiro semestre de 2026 foram 741 feminicídios, contra 760 no mesmo período de 2025, queda de 2,5%. A diferença é pequena e precisa ser confirmada nos próximos levantamentos.
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apenas medidas de repressão não bastam: é preciso investir em prevenção, educação e mudança de comportamentos na sociedade.
Onde as duas causas se encontram
A violência contra a mulher é também um problema de saúde mental. Quem vive sob agressão, ameaça ou controle constante pode desenvolver ansiedade, depressão, insônia e medo permanente, e muitas vezes não consegue nem pedir ajuda. Por isso, os serviços de saúde são uma porta importante de acolhimento: uma consulta na unidade de saúde pode ser o primeiro momento em que a mulher conta o que vive.
Os números ajudam a entender por que o apoio precisa vir cedo. O Anuário mostra que a violência doméstica somou 277.916 casos em 2025, alta de 2,6%. Muitos feminicídios são o fim de uma história de violência que começou bem antes.
Onde buscar ajuda - Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher. Gratuito, recebe denúncias e orienta sobre direitos e serviços.
- 190: emergência. Em caso de perigo imediato, ligue para a Polícia Militar.
- 188 (CVV): apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuito, a qualquer hora.
- UBS e CAPS (SUS): as unidades básicas de saúde e os Centros de Atenção Psicossocial oferecem atendimento gratuito em saúde mental.
Se você conhece uma mulher que pode estar em situação de violência, escute sem julgar, não a culpe e a incentive a procurar ajuda. Uma conversa acolhedora pode fazer diferença.
Fontes: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), Ministério da Justiça e Segurança Pública, Federação Mundial de Saúde Mental e OMS.

